sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um Poema de Gióia Junior


PARA QUANDO ESTIVERES NA CASA DE ORAÇÃO



Fecha agora os lábios teus
Para os vários interesses
Nesta casa habita Deus,
Principia tuas preces...

Haja um silêncio profundo,
Nova luz fulgura aqui...
Fecha os olhos para o mundo,
Vê que Deus reside em ti...

São preciosos os momentos
Nesse lar de paz e amor...
Doma os torpes pensamentos
Que te afastam do Senhor.

Que solene majestade
Nesta casa de oração:
A clareza da verdade
E a verdade do perdão!

Ouve a voz de Deus, imensa,
Poderosa, fica em pé...
Abre os olhos – para a crença
E os ouvidos - para a fé!

Do passado esquece tudo,
Vive a santa devoção...
Se Deus fala – fica mudo,
Se Ele escuta – fala então!!!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A "Gospelização" está em alta!


    Pense num beco estreito e sombrio, com calçamento de paralelepípedo, cercado de galpões. Imagine-se entrando por uma das portas, de madrugada. Você avista jovens de jeans rasgado e camiseta preta, cabelo eriçado, bracelete, tatuagem e piercing. Com latinhas de energético à mão, eles dançam sorridentes e saltitantes. Casaizinhos em cantos escuros trocam carícias e beijos...


A descrição acima é de um encontro evangélico (evangélico?) que está se tornando cada vez mais comum, e com o apoio das lideranças, nesses tempos pós-modernos. Estou falando da “balada gospel”, diferente da balada original, mundana, visto que foi “gospelizada” pelos seus frequentadores, pertencentes à “geração gospel”.


Muitos cristãos (cristãos?) do nosso tempo têm usado o adjetivo “gospel” para “santificar” atitudes, posturas, comportamentos, condutas e eventos que outrora estavam relacionados a pessoas que não conhecem o Evangelho. Parte-se da premissa de que o crente tem liberdade para fazer o que quiser e se divertir do jeito que bem entender — mesmo que imite o mundo —, e ninguém tem nada a ver com isso.


“Não me diga que você é um daqueles protestantes retrógrados que ainda pensa que participar de festa junina é impróprio para o cristão. Deixa de ser legalista, meu chapa! Acorda, rapá!”, diria um famoso telepregador gospel. Isso mesmo: já existe o “arraiá gospel”, também conhecido como “festa jesuína”, inclusive em algumas pretensas Assembleias de Deus. O mesmo se aplica a baile e desfile de carnaval, música erotizante (que simula o ato sexual), esporte (esporte?) violento e sanguinário — cuja “bola” a ser chutada ou golpeada com a mão é a própria cabeça do “esportista” —, Halloween (conhecido como “Elohim”), “pegação”, etc.


Como se depreende da leitura deste artigo, “gospelizar” é, pretensamente, “tornar evangélico”. Uma vez “gospelizado”, o que outrora era considerado pecaminoso pode ser praticado livremente, sem peso de consciência. O lema dos crentes da “geração gospel” é: “Vamos curtir a vida. Afinal, Jesus não é careta”.


Os líderes e membros das igrejas “gospelizadas” se conformaram com o mundo. Seus cantores se inspiram em astros mundanos, como declarou, há algum tempo, o integrante de uma famosa banda gospel: “A gente ouve Bob Marley, mas só para se informar”. A tônica das mensagens “evangelísticas” pregadas nessas igrejas é: “Venha como está e fique como quiser”.


Empreguei o termo “gospelização” pela primeira vez em abril de 1994, em um texto que escrevi para o jornal Mensageiro da Paz. À época, escrevi: “Os que quiserem podem até pular carnaval, pois já existem blocos de ‘samba evangélico’. Para os apreciadores de bebidas fortes já existe a ‘cerveja gospel’, sem álcool, é claro. E não ficaremos surpresos se lançarem o ‘cigarro gospel’, sem nicotina”. Naquela época, esse texto soou como profético para os conservadores, e ácido demais para os liberais, em razão de o processo de “gospelização” ainda estar em seu início.


Não tenho conhecimento de que o “cigarro gospel” tenha sido inventado. Em compensação, hoje temos o  “carnaval gospel” , o  “arraiá gospel” , o  “dia das bruxas gospel” , as  “lutas de gladiadores gospel” , o  “barzinho gospel” , a  “balada gospel” , o  “funk pancadão gospel” ... Como diz um “meme” do Facebook (imagem acima), “Só está faltando o inferno gospel”.


Ciro Sanches Zibordi in [blog do Ciro]

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Richard Wurmbrand


Nos Anos 80 eu li um livrinho chamado Torturado por amor a Cristo. Este livro contribuiu em muito para aumentar minha fé e reconhecer que meus sofrimentos na minha vida cristã, são um grão de areia diante dos sofrimentos de homens como Richard Wurmbrand, o soldado Ivan e outros heróis da Fé. O blog Assembléianos Puritanos, que sigo publicou uma biografia de Richard Wurmbrand que compartilho com vocês:

Richard Wurmbrand(Março 24, 1909 – Fevereiro 17, 2001) era um Romeno evangélico Pastor e escritor. Ele foi o fundador da Organização Internacional Voz dos Mártires ou The Voice of the Martyrs.

Richard Wurmbrand, o caçula de quatro filhos, nasceu em 1909 em Bucareste, em uma família judaica. Ele viveu com sua família em Istambul por um curto tempo, seu pai morreu quando ele tinha 9 anos e os Wurmbrands voltaram à Romênia, quando ele tinha 15 anos. Quando adolescente, ele foi enviado para estudar o marxismo, em Moscou, mas retornou clandestinamente no ano seguinte. Perseguido pela Siguranţa Statului (polícia secreta), ele foi preso e mantido na prisão Doftana. 

Ao retornar à sua pátria, Wurmbrand, já era um importante agente do Comintern, líder e coordenador pago diretamente por Moscou. À semelhança de outros comunistas romenos, ele foi preso várias vezes, então condenado e liberado novamente. Casou-se com Sabina Oster em 26 de outubro de 1936. Wurmbrand e sua esposa se tornaram crentes em Jesus como Messias, em 1938, através do testemunho dos cristãos Wolfkes, um carpinteiro romeno Christian, que integrou a Missão Anglicana para os judeus. Wurmbrand foi ordenado por duas vezes - primeiro como um anglicano, em seguida, após a Segunda Guerra Mundial, como um pastor luterano.
Em 1944, quando a União Soviética ocupou a Roménia, o primeiro passo para estabelecer um regime comunista, Wurmbrand começou um ministério para os seus compatriotas romenos e aos soldados do Exército Vermelho. Quando o governo tentou controlar as igrejas, ele imediatamente começou um ministério "subterrâneo" para seu povo. Richard é lembrado por sua coragem em estar em uma reunião de líderes da igreja e denunciando o controle do governo das igrejas. Ele foi preso em 29 de fevereiro de 1948, enquanto caminhava para os cultos da igreja.
Wurmbrand enquanto preso foi açoitado, torturado e obrigado a ingerir drogas. Apesar de tudo ele resistiu e ficou firme. Passou dois anos na “cela da morte”, assim chamada por não ter voltado ninguém dali com vida até então.

Wurmbrand, que passou pelos Estabelecimentos Penais de Craiova, Gherla, o Danube-Black Sea Canal, Văcăreşti, Malmaison, Cluj, finalmente, Jilava, solitária onde passou três anos. Sua esposa, Sabina, foi in presa em 1950, passou três anos em Danube-Black Sea Canal em trabalho escravo. Wurmbrand foi libertado da primeira prisão em 1956, depois de oito anos e meio. Embora avisado para não pregar, retomou todos elementos trabalho na Igreja Subterrânea. Foi preso novamente em 1959 e condenado a 25 Anos. Durante sua prisão, foi torturado e espancado. Foi solto pela Anistia em 1964. Preocupados com a possibilidade de que Wurmbrand fosse mais uma vez para a prisão, a "Norwegian Mission to the Jews" e também "Hebrew Christian Alliance" negociaram as autoridades comunistas para sua libertação por US$ 10.000. Foi convencido pelos Líderes da Igreja Subterrânea a sair do país para se tornar a Voz da Igreja Perseguida.

“Crentes eram pendurados em cordas de cabeça para baixo e açoitados tão severamente que seus corpos balançavam de um lado para o outro sob a força das pancadas. Eram colocados em refrigeradores — “celas refrigerantes” — tão frias que se formava uma camada de gelo na parte interna da cela. Eu próprio fui jogado em uma dessas celas com bem pouca roupa. Médicos da prisão observavam-nos através de uma abertura, até verem sintomas de morte por congelamento. Nesse ponto davam sinal e os guardas nos tiravam e então éramos aquecidos. Quando já estávamos adquirindo calor, éramos imediatamente colocados de novo nas celas congeladoras, e isto repetidamente! Descongelar depois congelar até um ou dois minutos antes da morte, e então descongelar novamente. Isso continuava indefinidamente. Até hoje, algumas vezes não suporto abrir um refrigerador”.

“Uma grande lição permaneceu após todas as surras, torturas e carnificina infligidas pelos comunistas aos cristãos: o espírito é capaz de dominar o corpo. Muitas vezes, ao sermos torturados, sentíamos a dor, mas era como se fosse algo distante e bem dissociado do nosso espírito que estava tomado com a glória de Cristo e a sua presença conosco. Quando recebíamos uma fatia de pão por semana, e uma tigela de sopa de água suja por dia, decidimos que continuaríamos dando fielmente o “dízimo” mesmo nestas circunstâncias. De dez em dez semanas pegávamos a fatia de pão e a entregávamos a alguém que estava mais fraco como nossa oferta ao Mestre”.

Um cristão recebeu a sentença de morte. Antes de ser executado, permitiram que visse sua esposa. Suas últimas palavras a ela foram: “Você precisa saber que morro amando aqueles que me matarão. Eles não sabem o que fazem, e meu último pedido é que você os ame também. Não sinta amargura no seu coração porque mataram o seu amado. Encontraremo-nos no céu”. Estas palavras impressionaram o oficial da polícia secreta que estava acompanhando a conversa entre os dois de tal forma que se converteu. Em conseqüência, foi colocado na prisão junto comigo, onde contou-me esta história.

Na prisão de Tirgu-Ocna, havia um prisioneiro muito jovem chamado Matchevici. Estivera ali desde a idade de dezoito anos. Por causa das torturas, estava agora muito doente com tuberculose. Sua família descobriu de alguma forma o seu estado de saúde, e enviou-lhe cem vidros de estreptomicina, que poderiam lhe fazer a diferença entre a vida e a morte. O oficial político da cadeia chamou o prisioneiro e mostrou a encomenda. Disse-lhe: “Aqui está o remédio que pode salvar sua vida. Mas não é permitido receber encomendas da família.

Pessoalmente, gostaria de ajudá-lo. Você é jovem. Não gostaria que morresse na prisão. Ajude-me a ajudá-lo! Dê-me informações contra seus companheiros na prisão, e isto me dará justificativa diante dos meus superiores por lhe ter entregado a encomenda”. Matchevici respondeu sem hesitar: “Não desejo permanecer vivo e ter vergonha de olhar no espelho, pois estaria vendo um traidor. Não posso aceitar tal condição. Prefiro morrer”. O oficial lhe estendeu a mão e disse: “Minhas congratulações. Não esperava que me desse qualquer outra resposta”.

Mas eu gostaria de fazer outra proposta. Alguns dos prisioneiros se tornaram informantes. Afirmam que são comunistas, e estão denunciando a você. Jogam dos dois lados. Não confiamos neles. Gostaríamos de saber até que ponto são sinceros. Para você foram traidores. Prejudicaram muito sua vida, informando-nos sobre suas palavras e ações. Compreendo que não queira trair seus companheiros. Mas dê-nos informações sobre estes que se lhe opõem, e assim salvará sua vida! “Matchevici respondeu com a mesma rapidez que tivera na primeira proposta. “Sou um discípulo de Jesus, e ele nos ensinou a amar até nossos inimigos. Estes homens que nos traem realmente nos prejudicam muito, mas não posso pagar o mal com mal. Não posso dar informação nem contra eles. Tenho pena deles, oro por eles, mas não desejo ter qualquer ligação com os comunistas”. Matchevici voltou desta conversa com o oficial e morreu na mesma cela onde eu estava. Estive ao seu lado quando morreu, e morreu louvando a Deus. O amor venceu até mesmo a sede natural pela vida.

“Se um homem pobre é um apaixonado por música, dará seu último centavo para assistir a um concerto. Ficará sem dinheiro, mas não sentirá frustração, pois encheu sua alma de sons maravilhosos. Não me sinto frustrado por ter perdido muitos anos na prisão. Vi muitas coisas belíssimas. Já estive entre pessoas fracas e insignificantes na prisão, mas também tive o privilégio de estar na mesma cela com grandes santos, heróis da fé que se equipararam aos cristãos do primeiro século. Enfrentaram a morte por Cristo com alegria. A beleza espiritual de tais santos e heróis da fé nunca se poderão descrever.

“As coisas que estou dizendo aqui não são excepcionais. As coisas sobrenaturais tornaram-se comuns aos cristãos na igreja subterrânea. A igreja subterrânea é a igreja que voltou ao primeiro amor”.

“Antes de ser preso, eu amava muito a Cristo. Agora, depois de ter visto a “Noiva de Cristo”, seu corpo espiritual na prisão, posso dizer que amo a igreja subterrânea tanto quanto amo ao próprio Cristo. Vi sua beleza e seu espírito de sacrifício”

FONTE: www.ressureicao.com 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Precisamos voltar a cultuar a Deus


     Cultuar ao Senhor implica adorá-lo, tributar-lhe voluntariamente louvores e honra. Podemos cultuá-lo de modo individual — continuamente: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17) — e de maneira coletiva, quando nos reunimos em algum lugar (templo, casa, etc.) para adorá-lo (Mt 18.20). Em ambas as modalidades, o objetivo primário é sempre a adoração (Jo 4.23,24), seguida do enlevo espiritual do adorador (Jr 23.19; 33.3). O culto a Deus exige exclusividade: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” (Mt 4.10, ARA).

Infelizmente, os nossos cultos coletivos foram, ao longo do tempo, ganhando adjetivos que evidenciam o quanto perdemos de vista o propósito primário de adorar a Deus. Hoje, tudo no culto (culto?) é preparado para agradar as pessoas, e não ao Senhor. E nós nos dirigimos ao templo para receber bênçãos do Senhor, e não (prioritariamente) para oferecer-lhe a nossa adoração. Isso é um desvio, posto que temos invertido as prioridades.

Vejamos alguns dos muitos tipos de “culto” que criamos, ao longo do tempo, para satisfazer os nossos caprichos:

Culto de libertação. Com o intuito de atrair gente e ver os templos lotados — o que também, naturalmente, aumenta a receita da igreja —, começamos a promover “cultos” de libertação. Ora, se o nosso Senhor, o Libertador, está sempre presente conosco e, sobretudo, em nós, por que precisamos de uma reunião específica de libertação? Basta-nos cultuarmos ao nosso Libertador e pregarmos a verdade, sempre, a fim de que haja libertação (Jo 8.32,36).

Culto de avivamento. Hoje, precisamos de reuniões específicas para Deus avivar o seu povo... Mas o verdadeiro avivamento ocorre continuamente, como consequência da verdadeira adoração. O que chamamos de culto de avivamento, na verdade, é uma reunião em que crentes gritam, pulam, sapateiam, mas não amadurecem, não crescem na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18). Se oferecêssemos cultos a Deus, com louvor, pregação e ensino da Palavra, haveria verdadeiro e contínuo avivamento na igreja (Ef 5.18,19).

Culto da bênção, da vitória, das causas impossíveis, dos milagres. Como as coisas estão difíceis, hoje! Precisamos de reuniões específicas para Deus operar! É preciso fazer campanha, participar da tarde da bênção, da noite dos milagres... Por que não voltamos a cultuar ao Senhor Jesus? Se fizermos isso, veremos milagres em nosso meio, não de maneira forjada, mas como consequência de nos humilharmos, e orarmos, e buscarmos a sua face, e nos convertermos de nossos maus caminhos (2 Cr 7.14,15).

Culto de louvor. Esse tipo de “culto” — também conhecido, vulgarmente, como “louvorzão” — é, na verdade, um show, pelo qual cantores e grupos se apresentam para agradar a plateia. Há pouco ou quase nada de louvor nesse tipo de reunião, mas o povo dança e se diverte. Já temos até imitações fajutas do Michael Jackson no nosso meio! Podemos chamar isso de culto? Biblicamente, o culto coletivo deveria ser de louvor (louvor, mesmo!), e não de cantoria (uma espécie de show de calouros), dança ou qualquer outro tipo de apresentação para agradar as pessoas.

Cultos de doutrina e da família. Não sou contra reuniões voltadas especificamente para o ensino, como é o caso da Escola Dominical e dos chamados cultos de doutrina. Afinal, quando estudamos a Palavra de Deus com submissão e obediência, também estamos cultuando ao Deus da Palavra. E, se, em nossos “cultos” de doutrina, houvesse mesmo exposição da sã doutrina, seria uma maravilha! Mas precisamos atentar para 1 Coríntios 14.26, a fim de que haja, em nossos cultos coletivos, louvor ao Senhor, exposição da sua Palavra e manifestação do Espírito Santo (1 Co 14.26).

Também não há problema nenhum em fazermos reuniões de aconselhamento à família. Mas é um erro tirarmos Deus do centro, ainda que por uma causa nobre. Precisamos, repito, olhar para o culto mencionado no Novo Testamento, especialmente no livro de Atos. Naquele tempo, não havia culto disso e daquilo. Todo culto era para honrar e adorar ao Senhor. E a salvação de almas, a manifestação do Espírito, mediante os dons espirituais, os milagres, as curas, a resolução de problemas ocorriam naturalmente. Não era preciso fazer campanhas, de$afio$, etc.

Culto administrativo. Ora, se o culto é — por definição — para Deus, como podemos oferecer-lhe um culto administrativo? É óbvio que esse tipo de reunião não é para glorificar ao Senhor. Certa vez, participei de um desses “cultos”. Aliás, eu havia sido convidado para pregar, mas um irmão usou praticamente todo o tempo para falar dos ventiladores e microfones que a igreja tinha comprado, e não houve exposição da Palavra! É claro que esse tipo de reunião (administrativa) é importante, mas isso nada tem que ver com culto a Deus.

Que Deus nos ajude a entendermos que o nosso culto coletivo é um momento especial em que nos reunimos para apresentarmos a Ele um louvor verdadeiro, buscarmos a sua presença, em oração, e ouvirmos a sua voz, principalmente pela sua Palavra. E que o Senhor nos ajude a não sermos crentes que vivem de “cultos” disso e daquilo.

Conscientizemo-nos, ainda, de que o nosso culto a Deus nunca termina. Não o cultuamos apenas no templo, de modo coletivo. Cultuemo-lo constantemente, em nossa casa, em nosso trabalho, na faculdade, no templo, ao dormir, ao acordar... Aliás, até dormindo (no caso dos cristãos se prezam) o cultuamos, como lemos em Isaías 26.9 e Cantares 5.2: “Com a minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” e “Eu dormia, mas o meu coração velava”.

Perdoa-nos, Senhor! Temos nos orgulhado do grande crescimento numérico das igrejas evangélicas, ainda que os líderes de muitas delas não tenham nenhum compromisso com o evangelho de Cristo. De fato, Senhor, elas estão cheias de multidões de interesseiros. Mas temos pecado, ao não adorar a ti em espírito e em verdade. Renova-nos, a fim de que voltemos a dar-te culto, como nos tempos da igreja primitiva. Amém.

Quantos podem dizer “amém”?

Ciro Sanches Zibordi  

quinta-feira, 22 de março de 2012

Deixando o passado para trás



Wallace

Estudando a lição 11 da CPAD para a EBD, deparei-me com este fragmento de texto, no final da conclusão da lição, ou seja, nos finalmentes do frigir dos ovos (risos): “vai-te em paz e não peques mais”, de João 8.11. Quero deter-me unicamente nessa pequena frase que requer complemento: Vai-te. E vou completá-la para você.
Sabe o que me chamou atenção nisso, nesse versículo aparentemente desprezado no meio de tantas coisas que ouvimos hoje em dia? É que encerram-se, nessa antiga frase de poucas palavras, valiosas lições para as pessoas de hoje, quais sejam:

1. Vai-te significa, em primeiro lugar, deixe seu passado para trás.

Você já parou para pensar na situação daquela mulher, e o estigma que ela iria carregar dali por diante? O de uma mulher adúltera, em meio a uma sociedade permeada pela hipocrisia, ela era a vítima perfeita para tapar o sol com a peneira, jogando uma cortina de fumaça para tentar ofuscar a decadência moral dos fariseus e outros eu‘s que viviam por lá.
Todavia, quando Jesus lhe disse “Vai-te“, Ele simplesmente disse “mulher, eu sei porque você foi apanhada, e porque foi trazida aqui, e como vão tratá-la daqui por diante, mas quero que saiba que perdoo você e, ao invés de carregar a cruz pesada dos fariseus, carregue meu fardo leve de perdão e amor”. Ela podia escolher entre ser conhecida como a adúltera dos fariseus e a perdoada por Jesus. E você, qual das opções escolheria? Deixaria o passado para trás ou seguiria carregando o ódio e desprezo dos outros nas costas?

2. Vai-te significa, em segundo lugar, avance.

Quantas pessoas há que têm se deixado levar pelas agruras da vida e parado no meio do caminho e, às vezes, no meio do Caminho também. Pode ser o seu caso, pode ser o caso de algum conhecido seu que, desfalecido pelo peso da culpa, sucumbiu no meio de seus projetos e caiu, desfalecido, à beira da estrada da vida.
Eu sei bem que não é fácil avançar, e até já escrevi um texto difícil, não tanto de escrever, mas de viver a experiência para, depois, contá-la. Você pensa que eu também já não desisti? Ledo engano o seu, já desisti sim, e como Davi, publiquei meu pecado em verso e prosa, para ser lido e discutido por quem quiser. Está difícil continuar carregando esse peso? Que tal deixá-lo ao pé da cruz e continuar em Seu Caminho?

3. Vai-te significa, em terceiro lugar, não pare.

Parece a repetição do anterior, não é mesmo? Mas, não é a repetição, e sim a continuação. Sabe por quê? Porque paramos aos poucos de avançar, até pararmos por completo. Desse modo, mesmo que você esteja caminhando lentamente, achando que não está saindo do lugar, não pare, continue. Respire, inspire, expire.Viva, enfim.
Essa é outra grande tentação que aflige as pessoas atualmente: parar. Se eu fosse uma pessoa renomada e diplomada, com a envergadura intelectual de um Mira y Lopez, que escreveu os 4 Gigantes da Alma, escreveria sobre As Grandes Tentações da Alma. Como cristão, tenho o medo sob rédeas, já que conheci o Amor e o Amor, quando invade nossos corações, a primeira providência que faz é expulsar o medo (1 João 4:18). Você já deve ter ouvido aquela batida frase: “devagar e sempre”, não é mesmo? Pois vou bater, de novo, com ela em sua cabeça dura: Não pare! Entendeu ou que que eu desenhe?

4. Vai-te significa, em quarto lugar, não desista.

Se você parar, mesmo sob a desculpa de “descansar, refazer as forças”, o primeiro sentimento que vai assaltá-lo será “Desista, você não vai a lugar nenhum mesmo! Você nunca foi ninguém na vida, por que quer mostrar pros outros o que não é? Jogue tudo pro alto e desista dessa idéia ridícula de que você vai vencer!”. Se você parar, vai acabar desistindo, justamente porque estará dando ouvidos a essas vozes que querem convencê-lo(a) de que não é capaz e que é perdedor(a).
Ora, se essas vozes que ficam buzinando esses excrementos em seu ouvido, confundido-o com latrina, se essas vozes tivessem mesmo a certeza de que você é perdedor(a), por que ficar perdendo tempo tentando convencê-lo(a) disso, se o próprio tempo se encarregaria dessa missão, mais cedo ou mais tarde? Capice, caiu a ficha? Exatamente, essas vozes têm medo do seu sucesso, do seu êxito, e sabem que você tem potencial para chegar lá e, por isso, ficam a todo momento querendo derrubá-lo(a), deixá-lo(a) down, pra baixo, porque o seu esforço, o seu sucesso e sua atitude de não entregar os pontos as incomoda.
Não desista, pois se até os que dizem que você não vai conseguir acreditam que você pode, porque você não pode crer em seu próprio potencial para o sucesso?

5. Vai-te significa, em quinto e último lugar, siga em frente.

Mover-se não quer dizer que você está seguindo adiante, para frente. Pode ser que você tenha, simplesmente, desistido e decidido voltar atrás, ao invés de deixar o passado para trás, não é verdade? Sim, há muitas pessoas que desistiram, entregaram os pontos mas não estão paradas. Elas estão… voltando. Preste atenção no que vou lhe dizer agora: nós não sabemos ao certo onde é a linha de chegada, e ela pode estar mais próxima do que você pensa, logo após a próxima esquina, e você nem desconfia. Se você parar e desistir agora, nunca saberá se a próxima esquina lhe reservava uma agradável surpresa.
Quando eu estava estudando para um concurso difícil (analista administrativo – MPU2006), senti-me tentado a parar, a jogar tudo pro alto e desistir… E em um certo dia, essa tentação bateu mais forte, quando eu me encontrava bem fragilizado, e cheguei mesmo a considerar abandonar a corrida pouco tempo antes de ela terminar. Naquele dia de provação insuportável, decidi que iria até o fim, desse o que desse, custasse o que custasse. Se aquele concurso era uma batalha, eu morreria como guerreiro: lutando.
Então, nesse mesmo tempo, alguém me enviou uma mensagem com o assunto “não desista“, e uma frase que me marcou foi: “você nunca sabe quão perto está da linha de chegada, se perto ou longe, e pode estar mais perto do que pensa. É nos momentos mais duros da batalha que devemos dar os golpes mais fortes. Não desista” (estou escrevendo de cabeça, ok? Mas, se quiser, pode lê-la no original clicando aqui).
Quer saber o resultado, se fiz a escolha certa? Continuei estudando, ainda que capengando, tropeçando e levantando, mas fui até o fim e fiz a prova. Quando o resultado foi anunciado, lá estava meu nome em primeiro lugar na lista local. Como se isso fosse pouco, tive o indescritível e honrado prazer em me ver entre os 5 primeiros colocados a nível nacional, para aquele cargo, aquele mesmo que eu pensei em desistir…

Quem sabe, caro leitor(a), você está lendo essas linhas movido pelo mesmo sentimento de impotência que me acometeu há 4 anos, e é um candidato em potencial a se tornar mais uma vítima do fracasso pelo simples fato de desistir ANTES de a batalha encerrar. Se você não tiver mais NENHUM motivo para seguir em frente e parar por aqui mesmo, estou lhe dando um.
Enxugue as lágrimas, engula esse nó da garganta e saiba: você não chegou aqui por acaso. Escrevi essas palavras pensando em você, e você sabe que elas têm destino certo: animar seu sofrido coração, e restaurar suas forças e lhe dar novo ânimo (vida). Sinta esse sopro de vida se derramando sobre você e levante-se dessa cadeira convicto de que é possível reverter esse quadro. Eu creio nisso, e você, por que não creria?
Agora, quero lhe pedir um favor: sabe, eu escrevo por prazer e (ainda, porque não descobriram meu talento… risos) não ganho por isso. Então, às vezes, bate aquela desmotivação natural, que você deve conhecer bem, talvez em outro sentido, mas comigo é assim: “puxa, quase ninguém comenta, quase não tenho retorno, será que ninguém gosta, será que ninguém é beneficiado com o que escrevo?”.
Sim, eu também sou de carne e osso (hoje mais carne que osso, quando mais jovem, era mais osso do que carne, mais isso é outra história…). Já venci muitas batalhas, é verdade, mas não estou imune às provações, assim como você, eu também tenho meus dias de dúvidas, incertezas e angústias. E como você pode me ajudar a continuar escrevendo? Comentando, se REALMENTE gostou e se isso o ajudou, de alguma forma.
Bem, pode ser que as pessoas venham comentar dizendo que eu tenho que PARAR de escrever… risos. Mas, faz parte né? Então, se você conseguiu chegar até aqui, espero vê-lo nos comentários, certo?
Deus te abençoe.
Soli Deo gloria.

Do blog Desafiando limites e Vencendo barreiras
http://wallysou.com/

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Profecias engraçadas

Em um culto animado, desses de descer fogo do céu, o povo pular, arrastar bancos, derrubar cadeiras e a vizinhança reclamar; o pregador, agora profeta, animado pegou um dos presentes e começou a profetizar:
-Eu estou curando o seu útero!
-Mas eu não tenho útero! Rechaçou o profetizado
-Mas vai ter um, a partir de agora! Recebaaaaaaaaaaaaa! Confirmou o profeta atrapalhado.

Em um monte de oração, quando uma caravana de irmãos, sai da igreja direto para o monte, uma jovem profeta, começou a profetizar a todos os que estavam orando ali. Um dos crentes havia tirado o paletó e colocado sobre um pequeno toco, resto de uma, das muitas árvores derrubadas para dar mais espaço as reuniões. (Eita desmatamento!!!) Profetiza aqui e acolá, no escuro a profetiza estendeu as mãos sobre o paletó pendurado e começou a entregar a profecia genérica:
-Estou te livrando disso! Vai receber uma benção! Estou com você naquele lugar!
Prossiga... Uma chuva de bênçãos vai cair sobre tua vida! Estou abrindo o mar vermelho dos teus problemas, para você passar...
O dono do paletó vendo o equivoco foi até a profetiza e disse baixinho no ouvido:
- É apenas um toco.
Ao que a profetiza não se abalou e continuou:
-Eis que falo contigo, meu servo Toco......

Quando não há montes ou morros por perto, improvisam-se reuniões de orações em galpões abandonados. Alugados apenas para o final de semana. Trazem as indefectíveis cadeiras plásticas, espalha-se serragem pelo chão, arrumam um som e coloca-se a mesa do pregador. São as “Vigílias”. Bem diferentes das antigas vigílias, feitas na própria igreja após o culto e onde só havia oração. Hoje o que mais acontece nestas vigílias é o tal de louvorzão. Um longo tempo é desperdiçado com um louvor recheado de refrões sem sentido, parecido com um mantra, feito mais para dançar do que adorar. Em cidades grandes, costumam haver duas vígilias na mesma noite. Uma, começa as 10 e vai até a 1 da madrugada. E outra começa a 1 e vai até as 4 da madrugada. São feitas para quem vai (a primeira) e para quem vem (a segunda) das baladas...
Em uma dessas vigílias modernas, o profeta da noite, colocou a mão na cabeça de uma jovem e soltou:
-Falo contigo minha serva. Farás um casamento abençoado e terás muitos filhos....
Era um travesti. Arrebanhado na rua onde “trabalhava”, estava ali para ouvir a mensagem e quem sabe até se converteria, mas.....

Em Curitiba, certa vez um profeta do alto do púlpito profetizou para um casalzinho que estava na nave da igreja. O que ele não sabia, era que eram pai e filha. O pai casara-se muito novo e teve a filha com 17 anos. Bem conservado, o homem aparentava agora uns 30 anos. A mãe da jovem, sua esposa por um motivo qualquer não fora a igreja naquele dia... O profeta desconhecendo o parentesco e pensando tratar-se de fato de um casal despejou:
-Este casal ai. O Senhor está me dizendo que vocês serão muito usados na obra dele. Serão missionários e viajaram para muitos países. O Senhor esta abençoando o casamento de vocês e terão ainda mais três filhos!
O pastor abismado, interviu na peroração dizendo ao “profeta”:
– São pai e filha! Ao que o dito continuou falando à igreja boquiaberta:
– São dois casais. Ela terá sim, três filhos com seu marido e o pai e a mãe dela também viajarão por vários países do mundo pregando o evangelho. O Senhor não mente!
O Senhor não. Já seus servos......

Numa fila para receber a benção, quando toda a igreja (quase toda!) vai à frente para ser profetizada, uma menininha ao ser perguntada sobre o que queria, pediu uma oração pelo Fred, seu amiguinho. O profeta então orou e disse que o Fred seria muito usado nas mãos de Deus. Deus estava cuidando do Fred.
O que ele não sabia é que o Fred é um cãozinho...
Também, quem manda colocar o nome de Fred num cachorro.

Em alguns estados do Brasil, os pastores quando ficam viúvos tem duas  opções: Ou casam-se em seis meses ou deixam a direção da igreja. Em uma igreja do interior, o pastor recém viúvo começou a receber as cantadas das irmãs já na volta do enterro da esposa. Irmãs casadoiras da congregação, congregações adjacentes e até das cidades vizinhas acorreram em massa a igreja. A igreja cresceu imensamente, já que as irmãs quando vinham, traziam consigo filhos, filhas, genros etc. Todas começaram a rodear o pastor com risinhos, palavras carinhosas e de conforto quanto a perda da companheira e a triste condição agora de ficar sozinho.
Quem cuidaria de sua alimentação? Suas roupas? Tem os filhos e filhas, irmãs, noras a sogra. Mas uma esposa cuidaria mais e melhor. Etc. e tal.
A tudo o pastor respondia: Deus tudo sabe e na hora certa me concederá uma companheira. As irmãs não desistiam do ataque. E falar que deixaria tudo nas mãos de Deus, foi ainda pior: Começou uma torrente de profecias no ombro do pastor (a moda agora é profetizar no ombro). Todas para se casasse logo.
A escolhida já estava preparada.
Uma mais afoita, já trintona, profetizou em um culto que sua futura esposa lhe daria mais alguns filhos, o que eliminava quase todas as demais candidatas, que já eram da casa dos quarenta para cima e, portanto inférteis e se colocou no topo da lista. Uma das quarentonas não desanimou: no outro culto profetizou para ele, que não olhasse para aparência nem formosura; a escolhida teria que ter experiência e, portanto só as de mais idades estavam capacitadas para o compromisso.
Outra chegou a dizer o nome de uma amiga, Ana Maria, como a escolhida por Deus para consolar o solitário pastor:
-Eis meu servo, que já preparei aquela que vai ser tua companheira nesta caminhada. Será uma mulher por nome Ana Maria, que te consolara nestes últimos dias.
Já cansado daquilo, o pastor preparou um sermão para o culto de ensino, quando
setenta por cento da assistência, eram de irmãs interessadas no futuro marido e lascou:
– Deus não esta neste negócio. Deus não faz isso e nem tolera quem pratica tais coisas. Profecia é algo sério. E começou a falar da igreja do principio. Quando em todos os cultos havia profecia. Mas eram profecias verdadeiras. Quando o profeta entregava a mensagem, toda a igreja silenciava. Não se ouvia um único som. Até as crianças emudeciam. O ambiente era de adoração silenciosa, nenhuma gloria, nenhuma aleluia. Não se profetizava para uma pessoa especifica. O homem ou mulher usado por Deus para profetizar, ficava de pé e do lugar onde estava entregava a mensagem sem olhar nos olhos, colocar a mão no ombro ou apontar dedo. Terminava, sentava e só ai a igreja glorificava As profecias eram para exortação, edificação e consolação. Não se profetizava para casamento, compra de carro e casa, emprego, mudança etc. Foi um culto memorável!

Deus ainda usa seus servos para entregar uma profecia, mas precisamos saber com certeza, se é Deus mesmo ou um charlatão.
Ah... O pastor casou-se, mas não com uma das profetizas. Sua nova esposa não é profeta!

Adelino Alves Bonfim

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Expulso da Igreja por não pregar a Teologia da Prosperidade!

Por André Sanchez


Imaginemos que certo profeta resolvesse levar sua mensagem ao púlpito de uma dessas igrejas que pregam a teologia da prosperidade. Imaginemos que ele seja bem recebido e, através de suas credenciais de profeta, lhe fosse oferecido o púlpito da igreja para que pregasse uma mensagem de prosperidade aos que ali estivessem.
Ele começaria seu discurso mais ou menos assim:
- “Esta é a mensagem que Deus, por meio de uma visão, deu a mim, o profeta Habacuque.” (Hc 1. 1).
Nesse ponto todos fitariam seus olhares nele e alguns comentariam:
- Nossa! Não é todo dia que se recebe um profeta de Deus com uma mensagem poderosa de prosperidade! O que será que ele revelará? Será que nos dará uma fórmula para determinar a bênção? Estou mesmo precisando comprar um carro do ano! Será que nos ensinará como expulsar as doenças e o demônio da pobreza? Será que revelará uma profecia de riqueza em nossa vida? Fala profeta!!! Fala profeta!!! Estou ansioso pela mensagem do Senhor para nossas vidas!
Eis que o profeta continua sua mensagem vendo a grande ansiedade do povo para receber suas palavras. Ele, então, continua com veemência:
- “Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu darei graças ao SENHOR e louvarei a Deus, o meu Salvador.” (Habacuque 3. 17-18)
Nesse momento um silêncio toma conta da igreja. Um olha para outro e todos olham para o pastor que havia dado a palavra ao profeta de Deus. A igreja, somente com o olhar, pressiona o pastor como que perguntando: Como assim, que palavra absurda é essa desse profeta?
E eis que se levanta um obreiro ao fundo da igreja e brada em alta voz:
- Senhor Habacuque, me desculpe, mas a sua palavra está equivocada! Ela representa o espírito da derrota e não o da fé. Você deve ter se desviado do caminho da fé verdadeira que nos reserva as maiores conquistas nessa vida, pois somos cabeça e não cauda! Deixe-me te dizer o que verdadeiramente Deus deve ter te dito:
- Determinem agora que as figueiras produzam as frutas, e que as parreiras dêem uvas grandes e sem pragas; que haja tantas azeitonas nas oliveiras que todos possam esbanjar; que o trigo os deixem ricos a ponto de esbanjarem dinheiro e viverem uma vida de luxo; repreendam o espírito de ladroagem contra as ovelhas. Façam uma campanha de 7 semanas para que os currais estejam cheios de gado gordo e vocês fique ricos, pois se isso não acontecer vocês não devem dar graças ao SENHOR e nem louvar a Deus, pois nascemos para vencer, nascemos para ser cabeça e não cauda!
Após ouvir tal palavra, o profeta de Deus, balança a cabeça negativamente e diz:
- Querido obreiro, a palavra que eu disse veio de Deus e não há nada a modificar nela… eu a entreguei da forma que me foi passada!
Antes mesmo de terminar de falar, o profeta de Deus é interrompido e vaiado pela igreja; é retirado do local pelos obreiros, debaixo dos gritos da multidão que o chamava de homem do diabo, sem fé e sem o Espírito de Deus; homem do mal que estava trazendo àquele lugar de prosperidade uma palavra maligna onde não havia prosperidade alguma.
O profeta de Deus saiu daquele lugar expulso pela multidão e prosseguiu sua caminhada, buscando quem, de verdade, pudesse ouvir a Palavra que o Senhor lhe incumbiu de pronunciar.
Porventura, achará ele lugar que aceite a Palavra do Senhor?



http://www.pulpitocristao.com/

domingo, 16 de outubro de 2011

Um sonho maior que eu


1. COMO JOSÉ, SONHANDO


Quando ouvi sobre a história de José, ainda criança, perguntei pra minha mãe, minha professora da escola dominical: "Por que os irmãos dele estão com raiva, a gente não sonha o que a gente quer e sim o que Deus quer, não é mesmo?" Minha indignação infantil não conhecia a inveja, o ciúme e muito menos o levante do inimigo contra os sonhos de Deus. Também não sabia que a maioria das pessoas trocava os sonhos de Deus por seus sonhos humanos. No desenrolar da história sabemos que os sonhos de José eram revelações de Deus para sua vida e o que seus irmãos fizeram de mal a ele não impediram que José se transformasse no grande governador do Egito. Eu sempre fui sonhadora e os leitores sabem que construi um grande roteiro de viagem, que fazia paradas breves e descompromissadas nas Igrejas, aos domingos e olha lá. Não é nada fácil vir de uma família que abre pequenas congregações, aonde o tio prega, a tia canta, a mãe ensina na escolinha e o primo tira a oferta. Quando a Igrejinha ia crescendo, tomando forma, com templo novo, instrumento musicais mais bacanas, quando ficávamos livres da microfonia e da festa da botija - lá ia a gente pra outro bairro, começar tudo de novo. Meu Deus que canseira, eu já tinha decidido que não queria nada daquilo na minha vida "Eu não, Deus me livre". Mas como Jó, o que eu mais temia me sobreveio. De uma forma muito particular o Senhor me guiou de volta pra casa, pra minha parentela e para a Igrejinha. Que amor era esse que eu estava sentindo por ela? Que saudade era essa dos hinos da harpa? Que surpresa era essa de sentir o que eu estava sentindo??? Depois de anos na prisão e na casa de Potifar lá vai José começar a jornada de realizar os sonhos de Deus. Na minha Igrejinha estou de volta à microfonia e às festas de botija entre outras coisas. Mais do que isso estou de volta ao meu primeiro amor. Neste processo começou a fluir em mim algo novo e espetacular - sonhos que não eram meus.


2. SONHANDO OS SONHOS DE DEUS
No ano passado eu recebi um sonho de Deus, e acredite: este sonho não era meu. Aliás, este sonho é bem maior do que eu! Neste sonho, muitas pessoas estudavam juntas a palavra de Deus, em salas de aula, em círculos e em grupos familiares. Eu não sei como isso aconteceu e nem sei como pessoas acreditaram nesse sonho, embarcando neste desafio. Mas o fato é que todas as portas se abriram e mesmo com muitos obstáculos, hoje temos um sólido grupo de estudos bíblicos - o Grupo Chokmah. Permita-me dizer que a consolidação deste projeto é exclusivamente pelo poder de Deus. Pois não temos (ainda) curso de Teologia, nem instalações próprias, nem recursos, nem apostilas modernas e avançadas, somente um grupo de pessoas com um desejo ardente de aprender mais sobre a Palavra. O que experimentamos nestes 9 meses e 39 livros da Bíblia que já estudamos é a mais absoluta revelação do Espírito Santo. Somos como crianças, tateando as paredes e andando pé a pé em direção ao conhecimento que vem de Deus, e nome mais oportuno para o Grupo não haveria de ter - Chokmah.
E hoje, de forma surpreendente para mim, eu assumo publicamente este sonho como meu. De alguma forma (misteriosa) o Senhor trabalhou em meu coração para que eu não só assumisse essa tarefa, mas que encarasse isso como um GRANDE PROJETO DE DEUS PARA MIM. Hoje o humilde grupo se tornou bem maior do que foi, há um ano atrás. Novas pessoas estão procurando o curso e hoje ele deixa de ser um Grupo de Estudos e passa a ser um Instituto Bíblico, com ensino para iniciantes no estudo da Bíblia, com várias turmas, de níveis diferentes, inclusive para adolescentes. O Senhor me fala que este é um degrau de muitos que vamos subir. O que desenvolvemos esse ano foi o suficiente para construir uma metodologia que é didática e eficaz no estudo da bíblia. Até o mês de Dezembro vamos concluir o 1º ano cujo tema é "Livros da Bíblia - Uma Visão Geral". E no ano seguinte "Bases Para Um Cristianismo Genuíno", encerrando o curso básico. Estou orgulhosa do que Jesus me fez presenciar, o mágico momento em que os sonhos de Deus passaram a fazer parte de uma pessoa.


3. SENDO CAPACITADO PARA A MISSÃO
Não me perguntem como uma pessoa sem curso de Teologia tem audácia de coordenar um Instituto Bíblico, mas eu acho que o passado nas Igrejinhas me mostraram que Deus vê grandes congregações aonde o homem só vê um salãozinho com 12 pessoas. De uma forma ainda oculta para mim Ele escolhe as coisas pequenas e despreparadas. Confio que o Senhor que chamou para a missão há de oferecer o treinamento apropriado. Eu bem sei que a Escola de Deus é o poço, o deserto, a casa de Potifar e a prisão. Não é nada fácil sonhar com algo que é mais grandioso de que si mesmo. Mas eu recebi em meu coração um evangelho que transforma humildes pescadores em oradores destemidos, pedras fundamentais. Transforma jovens trabalhadores rurais em profetas e heróis de guerra. Não estou dando nenhum passo que nossos humildes (porém extraordinários) cristãos primitivos não deram antes com êxito. Por que o Senhor que chama é aquele que capacita, e essa responsabilidade não é minha.
Não consigo entender o propósito de Deus com toda a história que vivi, quando criança. Depois, por que tive que perambular por inúmeras geladeiras gospel para sentir saudade da calorosa Igrejinha. Que calor arde em mim naquele lugar! Esse amor é o combustível que precisava para realizar qualquer missão, sem pensar em títulos, nem em habilidades humanas. (Não estou dizendo que apenas as pequenas congregações são ambientes de adoração genuína, mas este foi, especificamente o resgate que o Senhor executou em mim) Hoje só consigo pensar em conhecer e prosseguir em conhecer o Meu Deus e a Sua Palavra. E esse, sem dúvida alguma é o melhor sonho que eu poderia ter.
O estudo da Palavra deveria ser uma busca contínua de todo cristão. Peço ao Senhor que mais pessoas, se sintam incentivadas a montar Grupos de estudos da Bíblia em suas Igrejas, famílias ou entre amigos. Não preciso comentar o quanto é importante conhecer as escrituras e nem preciso dizer quanto respaldo bíblico temos para fazê-lo. Precisamos de Cristãos mais engajados, mais comprometidos com a Bíblia e com menos picuinha. As muitas heresias não se acanham em bater de porta em porta e de se impor pela mídia e por todos os lados possíveis. Vamos reagir Igreja Santa do Senhor, vamos falar do amor de Deus por onde passarmos, vamos explicar os trechos bíblicos de forma destemida para os que estão presos pelo laço enganoso do erro. Quantos de nós realmente nos reunimos com salmos e hinos de louvor? Qual foi a última vez que ganhamos uma alma para Deus? É triste saber que temos relativizado tanto que corremos o risco de perder o nosso referencial de comportamento. Vamos todos acoplar os sonhos de Deus aos nossos. Vamos buscar o centro de Sua vontade. Glória a Deus pois há tempo, a trombeta AINDA não tocou.

Susana Silvério

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Levantar as mãos ou dobrar os joelhos?


“Então disse Abisai, filho de Zeruia, ao rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei meu senhor? Deixa-me passar, e lhe tirarei a cabeça. Disse, porém, o rei: ...Ora deixai-o amaldiçoar; ...Deixai-o, que amaldiçoe; porque o SENHOR lho disse.” II Sam 16; 9 - 11

O senso de defesa próprio, bem como de nossas idéias, muitas vezes nos faz defensores de uma fortaleza que nem Deus está se ocupando. Se não tivermos o devido discernimento para estabelecer o que é prioritário, faremos forças, quando deveríamos considerar.

Davi estava em absoluta penúria, usurpado pelo próprio filho, fugitivo, no intento de preservar a vida. O bravo Simei, da tribo de Benjamim, portanto, pró Saul, que fora rejeitado quando da escolha de Davi, achou que era uma boa ora para bradar sua revolta contra o fugitivo filho de Jessé. Abisai, sobrinho do rei, decidiu cortar a cabeça do benjamita, mas, Davi disse: “Deixa que amaldiçoe”. Vai que Deus se apieda da minha miséria e muda isso em bênção, pensou. Sábia decisão, acabou acontecendo isso mesmo.

Temos sido desafiados todo dia a debates inúteis, e agimos como o valente Abisai, dispostos a decapitar a heresia que nos ameaça. Paulo desaconselhou essas coisas, “Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs, ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Tito 3; 9 e 10 “E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas.” II Tim 2; 23 O conselho do apóstolo é: Identificou uma heresia, denuncie, mas, se o herege insiste, deixe-o pra lá.

Muitos de nós, eu inclusive, temos errado no sentido de nos aprofundarmos em questões loucas, que nunca terão termo. Certamente, enquanto fazemos isso, algo mais útil deixa de ser feito. Dia desses recusei entrar no debate calvinismo x arminianismo, sem me omitir a expor minha visão num post. Depois de mais de uma centena de intervenções, todos se cansaram e cada qual continuou mais convicto do seu ponto-de-vista. Alguém já disse, não se afunde nas questões, pois elas não têm fundo.

Esse nó ninguém desata há cinco séculos, não seríamos nós que o faríamos. Tenho recusado algumas provocações, pois não preciso cortar os pulsos se alguém acha que estou errado. Se o “Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus”. Que mais preciso? Muitos debates se dão por absoluta falta de conversão de alguns, nos quais o “véu” permanece, e tentam harmonizar o que condena com o que justifica, nunca conseguirão. Quando se converterem o véu será tirado disse o mesmo Paulo.

Se uns acham que a doutrina da trindade é pagã, outros, que devemos observar o sábado, ainda, que devemos conhecer o “nome original” de Deus, que somos pretensiosos, por pensar que temos arbítrio, ou que Deus predestinou quais serão salvos, que pensem e digam, mas, uma vez posto nosso pensar, insistir é cansaço vão, e desvio de alvo.

Assistimos irmãos em Angola que sequer sabem ler, que dizer sobre conhecer a Palavra? Mas nós temos que debater sobre vertentes gregas e hebraicas de nosso conhecimento. ( não estou desprezando o conhecimento, apenas, sugerindo foco) Demorei mas, parei de esperar mel de vespas, e frutos de espinheiros. Me refiro às disputas, não às pessoas.

Talvez um pouco da postura humilde de Davi; deixe que discordem, façamos nosso trabalho sem nos atrapalharmos com isso, afinal, vai que isso seja um argumento que os faça pensar melhor. Afinal, nesses tempos de simonia e macumba gospel, temos coisas mais urgentes a combater, no campo ideológico, sem falar das demandas práticas que nos assediam o tempo todo. Que importa se parecemos um “patinho feio”, Deus nos fez belos cisnes em Cristo, “nademos” pois, segundo Seu exemplo e para Sua glória.

Deus mudou em bênção a maldição de Simei contra Davi, e esse teve que mudar o discurso;
“E apressou-se Simei, filho de Gera, benjamita, que era de Baurim; e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi.” II Sam 19; 16 “...teu servo deveras confessa que pecou;...” Contrário aos dias de Moisés que a vitória vinha quando ele estava com os braços levantados, em nosso tempo, vem quando estamos de joelhos dobrados.

“O orgulhoso de coração levanta contendas, mas o que confia no SENHOR prosperará”. Pv 28; 25
Leonel Elizeu Valer dos Santos

Leia mais em: http://www.webartigos.com/articles/74074/1/Levantar-as-maos-ou-dobrar-os-joelhos/pagina1.html#postedcomment#ixzz1VNs2qXYm

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Hino de Conversão do Testinha





MINHA CONVERSÃO


Quando eu andava sem Cristo
Quantas misérias passei
Não tinha paz, nem abrigo
Nunca alegria encontrei
Minha alma era manchada
Nas imensas trevas sem luz
Sem perceber que existia
Um Salvador em Jesus.

Mundo ingrato e perverso
Em ti não há salvação
O teu caminho é largo
Mas nele há perdição
O pecador não conhece
Quantas maldades tu tens
Porque quem dorme nas trevas
Dela faz parte tambem.

Sem atender ao chamado
que muitas vezes escutei
Não dava ouvidos e fugia
E muitas vezes zombei
Até que um dia o salário
Do pecado eu recebi
Fui morar em uma prisão
Foi lá que eu muito sofri..

Entre oito anos e meio
Abandonado fiquei
Não tinha nem um amigo
Todo o dinheiro eu gastei
Até mesmo o advogado
Desistiu e me abondonou
Foi nesse triste momento
Que socorri ao Senhor.

Hoje liberto das grades
E do pecado tambem
Fui transformado por Cristo
Pra o caminho do bem
Quando ouvir este hino
Abre o teu coração
Nele há morada para Cristo
Cristo te dá Salvação.

Hino composto pelo ex bandido Testinha(João Batista Rodrigues) e muito cantado nas décadas de 70 e 80. Testinha morreu em 1974. Seu testemunho
pode ser ouvido no Youtube.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

PRECE DO AMOR DEMAIS


Quando penso, Senhor, naquele amor sublime
Como nem no céu existem dois iguais:
Amor que te fez amar o mundo inteiro,
Que te levou ao vitupério do madeiro
Quando, Senhor, quiseste amar demais.

Desejo também amar meu semelhante,
Como se minha alma nele residisse,
Sentir o peso do seu sofrimento,
Seu drama, sua dor, seu desalento,
Como se na própria carne eu sentisse.
Quero amar os revoltados, os escravos do vício,
Os quase suicidas, as vítimas da guerra.

Quero amar os velhinhos cansados,
As crianças sem mãe, os condenados,
O pobre, o doente – os últimos da terra.

Quero amar os ricos, os sábios, os poderosos,
Sem sentir inveja e sem bajulação.
Quero amar as tribos, as ilhas, o mundo,
Os homens da cidade, a gente do sertão.

Quero amar assim tão completamente,
Como só sabe amar aquele que Te ama.
E depois partir, silenciosamente,
Qual fósforo que se consome
Ao acender a chama.

Perdoa a pretensão do meu desejo
E se insisto, Senhor, uma vez mais;
Mais para que o mundo possa Te ver em mim
É preciso que eu suplique assim:
- Ensina-me, Senhor, a amar demais.

Myrtes Mathias

domingo, 22 de maio de 2011

Os erros do Espírito Santo(aos nossos olhos)


Pare evitar melindres, digo logo que o título é retórico, e não literal. Perco parte do impacto, mas evito logo os caçadores de heresia. Não tenho muita paciência com gente que procura chifre em cabeça de cavalo, e por isso esclareci logo.

Filipe estava pregando para uma multidão, e o Espírito o removeu para o deserto. Tirou-o do meio de um trabalho de massa e de grande impacto. É que lemos em Atos 8.12-13: “Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus, batizavam-se homens e mulheres. E creu até o próprio Simão e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e admirava-se, vendo os sinais e os grandes milagres que se faziam”. Filipe tivera discernimento e fora para a Samária: “E descendo Filipe à cidade de Samária, pregava-lhes a Cristo. As multidões escutavam, unânimes, as coisas que Filipe dizia, ouvindo-o e vendo os sinais que operava; pois saíam de muitos possessos os espíritos imundos, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados” (At 8.5-7). Lá surgiu um avivamento e muitas conversões aconteceram.

É neste momento que vem o Espírito e comete seu primeiro erro: encaminha o evangelista a um lugar deserto. Tudo bem planejado por Filipe, as coisas estão indo bem, e o Espírito, de supetão, o remove dali para um lugar inexpressivo. Deus deveria respeitar mais nosso planejamento. Temos bons estrategistas, gente que sabe criar projetos e delinear ações. Mas Deus tem o estranho hábito de fazer as coisas sem nos pedir informações e sem olhar nossa prancheta. Não se tira um obreiro de um lugar em que ele está indo muito bem, fazendo um bom um trabalho, privando o lugar de sua presença marcante. As coisas iam bem por causa do homem certo no lugar certo.

O segundo erro estratégico: tirou o evangelista do meio de muitas pessoas e o encaminhou para esperar que passasse alguém. Veja os contrastes: “multidões” (v. 6) e “muitos” (v. 7) para “deserto” (v. 26). Ora, por que investir em lugares pequenos? Por que enviar um missionário para um vilarejo, ao invés de centrar as forças nos grandes centros urbanos? Faltou-lhe noção de estratégia missionária. Não aprendeu dos missiólogos. Ignorou as modernas técnicas de evangelização mundial. Foi por isso que errou. São Paulo de Piratininga é mais importante que Coxipó de Poconé de Conceição de Mato Dentro. Ter uma igrejona em Sampa é mais importante, estrategicamente falando, que ganhar alguém na periferia de Coxipó.

O terceiro: tirou o evangelista do meio de uma batalha, em que confrontara vitoriosamente o mal, para um lugar pacífico. Simão, o Mago, se decidira. Era só trabalhar mais com ele. Que troféu para exibir! Figurões convertidos ajudam muito na expansão do evangelho. Exibir um ex-alguma coisa dá um ibope terrível! A quem Filipe evangelizaria, no deserto? Lobos? Serpentes? Escorpiões? Para piorar, Pedro já “engrossara o caldo” com Simão: “Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniqüidade” (At 8.20-23). Figurões que sejam convertidos potenciais devem ser tratados com luvas de pelica! O Espírito também poderia orientar melhor aos missionários. Noções de Relações Púbicas fazem bem.

Por tudo isso, o Espírito Santo seria reprovado na disciplina Estratégia Missionária, num curso de Missiologia. Nós sabemos que o segredo do sucesso está no bom planejamento. Sabemos pensar, fazer projetos, idealizar situações. Tanto que nem precisamos de muita oração. A prancheta substitui o joelho em terra e nos dá a sensação de utilidade. Estamos fazendo alguma coisa para Deus ao invés de esperarmos passivamente. Nós somos proativos, e não reativos, mesmo reativos a Deus. Somos uma denominação que sabe planejar! Vejo cada calhamaço de planejamento! Só não entendo porque, com tanto planejamento, as coisas não melhoram. Bem, quem sabe, precisamos de mais planos…

Sabemos o que aconteceu. Filipe foi para o deserto, ganhou um ministro de Candace, rainha da Etiópia, para Jesus. O homem regressou convertido para seu país, e assim se cumpriu uma profecia bíblica: “estenda a Etiópia ansiosamente as mãos para Deus” (Sl 68.3). E, figurão por figurão, o Espírito sabia qual lhe seria mais útil.

Não se trata de seletividade do Espírito, removendo Filipe do meio do povão e levando-o a uma pessoa importante. É que o plano de Deus estava formado há séculos. Deus já tinha a conversão deste homem em mente, antes do avivamento em Samária. Precisamos conhecer os desígnios divinos para nossas vidas e para seu reino. E ele nos faz conhecê-los na convivência com ele. Não desconsidero os planos, mas considero que buscar a Deus e submeter-se a ele é mais importante que qualquer outra coisa. Geralmente planejamos e pedimos que Deus abençoe os nossos planos. Buscamos conhecer os planos de Deus? Antes de dedicarmos os planos a Deus dedicamos-lhe nossa vida? Nem sempre o segredo do bom sucesso são os planos, mas o caráter espiritual das pessoas sempre pesará muito. A espiritualidade não pode vir a reboque de projetos. A oração não pode ser item em nossas agendas, mas o suporte do que fazemos.

Creio que mais importante que papel e arquivos em computador é a profundidade espiritual. É a oração, não como tópico de agenda administrativa, mas a passional. Receio que a burocracia se torne um shiboleth e sufoque o Espírito Santo. Não é pecado planejar, mas é pecado criar a cultura de que tratamos de um negócio comum, que se atém a regras humanas normais, e não que cuidamos de algo sobrenatural, que não pode nunca deixar de ter abordagem e enfoque sobrenaturais em primeiro lugar. Será que muitas de nossas instituições não estão em crise exatamente por isso? Por que deixaram de ser espirituais e suas engrenagens se tornaram meramente comerciais? Se tem dinheiro em caixa então cumpriu sua missão. Será isto mesmo? Não será por isso que muitas não têm dinheiro em caixa e vão mal em outros setores?

O caráter de Filipe fica bem claro em Atos 6.3: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço”. E isto me leva a considerar que a maior necessidade da igreja e das instituições que a servem (como batista entendo que as instituições são servas das igrejas) não é de mais burocracia eclesiástica, mas de pessoas de caráter espiritual elevado. De homens e mulheres espiritualmente rendidos a Deus e completamente entregues em suas mãos para a obra. Penso se não nos sobram planos e escasseiam quebrantamento e vida nas mãos de Deus. É ele quem faz a obra através de pessoas, e não as pessoas que fazem a obra através dos seus planos. “E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários” (At 19.11).

Filipe pôde sair do meio do avivamento e ir para o deserto porque não mensurava seu serviço pela contagem de cabeças de decididos, mas sim em termos de espiritualidade obediente. Não são planos ou números. Estes são circunstanciais, secundários e produto da espiritualidade. O que mais importa são vidas nas mãos de Deus. Como a de Filipe. Com vidas assim nas mãos do Espírito de Deus as coisas dão certo. Ele nunca erra.

Pr Isaltino Gomes Coelho

in http://www.davarelohin.com.br

domingo, 1 de maio de 2011

Dois tipos de igrejas; dois tipos de crentes

Ouvi, algum tempo atrás, alguém me contar o conteúdo da conversa entre dois rapazes. Um deles disse ao amigo: “Minha igreja é o máximo! Como eu me sinto bem lá! Não há nada que me entristeça ou desaponte. Quando estou lá, é como se o mundo e a vida fossem perfeitos. Parece que estou no céu”.

O amigo ouviu esse relato e, após alguns segundos de silêncio em uma atitude reflexiva, respondeu: “Eu também gosto da minha igreja. Amo estar com meus irmãos e participar de todos os cultos e programações. Mas quando canto sobre a glória e a santidade de Deus e quando ouço a pregação da Palavra, não consigo parar de pensar em quanto estou longe daquilo que eu deveria ser e em quanto ainda eu preciso crescer no caráter cristão. Em alguns momentos eu fico desapontado. Mas meu desapontamento é comigo mesmo e com o pecado que pratico. Sofro por causa dele. Às vezes, até choro arrependido. Porém, a esperança de um dia viver com Deus, livre de defeitos, é o que me encoraja a continuar servindo cada vez mais a Cristo e a buscar a santidade na minha vida. Quando estou na igreja, não me sinto no céu... eu desejo chegar logo no céu!”.

Quem me contou essa história, também me explicou que esse segundo jovem pertence a uma igreja séria que enfatiza o ensino bíblico. Já o primeiro rapaz pertence a uma dessas comunidades voltadas ao público jovem cuja ênfase está na música e em programações “legais”, enquanto as Escrituras são tratadas com superficialidade por “pastores” sem preparo teológico. Com tal explicação, tudo ficou mais claro.

Além da óbvia constatação de que a igreja que menospreza a Bíblia se desvia dos caminhos e dos propósitos do Senhor, outra coisa me deixou pensativo: “Como pensam os membros das igrejas bíblicas? Será que todos pensam como o segundo jovem?”. Temo que a resposta não seja tão encorajadora.
Enquanto muitos crentes permanecem tratáveis diante das Escrituras e do pastoreio dos seus líderes, uma nova “raça” está se cristalizando nas fileiras eclesiásticas. Trata-se de um grupo que trouxe para dentro da igreja o individualismo dos nossos dias, de modo a não terem, de fato, comunhão com o corpo de Cristo. Também carregam os princípios do “Código de Defesa do Consumidor” não cogitando qualquer dever que tenham como membros de uma igreja, mas apenas os direitos que têm e o modo como devem ser respeitados pelos outros. Para piorar, importam do mundo uma noção tosca de que a igreja deve adulá-los a fim de não perdê-los, como se fossem fregueses de uma grande loja.

Tudo isso é estranho ao ensino bíblico. A igreja, para o crente, deve ser alvo da sua mais carinhosa atenção e cuidado (2Co 11.28), das suas orações constantes (1Ts 3.10) e do seu mais sincero amor (Ef 1.15, Cl 1.4). O crente deve ter a nítida convicção de que, como noiva de Cristo, a igreja pertence ao Senhor e, por isso, há um modo definido de ela se comportar (1Tm 3.15) no qual ela se submete ao seu Senhor (Rm 7.4-6; Ef 5.24) para produzir glória ao seu nome (Ef 3.21). Apesar de características tão específicas e marcantes para o conjunto de crentes que chamamos de “corpo de Cristo” (Ef 1.22,23), à semelhança de um corpo humano, a igreja também é formada de partes individuais (Rm 12.4,5). Assim, falar sobre as características da igreja é o mesmo que falar sobre o papel e a responsabilidade de cada crente em si. A igreja é o que seus membros são. Para termos uma igreja verdadeira, sadia e bíblica, precisamos ser, cada um de nós, crentes verdadeiros, sadios e bíblicos.

Por fim, todos nós devemos nos fazer duas perguntas: “Que tipo de igreja é a minha?” e “que tipo de crente sou eu?”.

Pr. Thomas Tronco''